Hellblade: Senua's Sacrifice (2017)
O que é real ou não na jornada dessa heroína? Esse é o questionamento constante para quem se aventura em Hellblade: Senua's Sacrifice. Um game de 2017 com gráficos impressionantes para a época, sendo provavelmente um dos gráficos mais bonitos de sua geração.
Com uma temática sombria, suja e ambientada na Era Viking, Hellblade: Senua's Sacrifice conta a história de Senua, uma guerreira celta que se aventura até as terras nórdicas em busca de reviver seu falecido amado, em uma jornada muito inspirada no conto grego de Orfeu e Eurídice.
No entanto, o que se inicia de maneira similar a tantos jogos de aventura acaba se revelando uma jornada em busca de aceitação, superação de traumas e autoconhecimento ao desenrolar da complexa trama do jogo.
De cara, o jogador já nota a ausência total de HUD ou de qualquer indicação visual de como correr, atacar, ou interagir com objetos. Em uma escolha de game design muito interessante, todas as indicações de objetivos a seguir no jogo são dadas pelas “vozes” que Senua ouve constantemente ao longo da gameplay, dando assim uma experiência mais imersiva ao jogador, em que a descoberta de como jogar e interagir com as coisas vem ora dessas vozes, ora via tentativa e erro, o que é um alívio para quem não aguenta mais jogos com tantos tutoriais e explicações na tela, inundando o jogador de informação antes mesmo dele tentar jogar. Por exemplo, na primeira vez que eu morri no game, eu não percebi que era preciso apertar botões para que a Senua se levantasse ao cair em batalha (só fui entender isso ao prestar atenção no que as vozes me diziam, mas aí já era tarde demais).
Ainda sobre as vozes que Senua ouve, é importante jogar o jogo usando um fone de ouvido para ter uma experiência completa e não perder as dicas e explicações que elas dão. Senua foi criada acreditando que as vozes são fruto de uma maldição e que sua presença é nociva aos outros. Porém, seria essa uma maldição, ou são as pessoas que não compreendem e julgam sem entender? Muitas vezes não dá pra saber se o que acontece no jogo é “real” ou fruto da mente da Senua, e isso é abordado de forma muito rica na criação da narrativa, cativando o jogador que busca entender o universo do jogo e sua história ao montar um complexo quebra-cabeça.
Para um jogo feito por uma equipe pequena, a beleza do jogo impressiona não só pelo seu poderio gráfico, mas também por uma direção de arte impecável. Toda a parte audiovisual é um show à parte, e a mixagem de som é algo que eu nunca tinha visto antes.
Mas nem tudo é perfeito. O jogo tem, do começo ao fim, puzzles visuais que devem ser feitos para abrir portas de um modo que não é divertido, além de ser repetitivo. O combate é muito afiado, mas infelizmente a variação de inimigos é baixíssima, o que também acaba tornando o jogo repetitivo nesse aspecto.
Finalizo aqui dizendo que Hellblade: Senua's Sacrifice é um jogo que deixou uma marca por sua ousadia narrativa, história profunda e audiovisual incrível, e mesmo com seus defeitos merece muito ser jogado e apreciado.
Principais pontos positivos:
Gráficos no topo da qualidade da geração
Mixagem de som impecável
História complexa com narrativa cativante
Combate justo, responsivo e extremamente prazeroso
Principais pontos positivos:
Baixa variedade de inimigos
Puzzles visuais repetitivos e desinteressantes
Tempo de jogo: 6h (Platinado)
Plataforma jogada: PS5
Nota final: 8/10
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